sábado, 12 de janeiro de 2008

As mais belas descobertas ocorrem quando as mesmas coisas são vistas com um novo olhar

Três dias na praia me renderam uma marquinha de biquíni no corpo e uma certeza ainda mais forte no coração.
É assim que eu voltei pra Poa.
Com as energias renovadas e na contagem regressiva pra entrar no avião, chegar no Rio e dar um abraço em tanta gente que partilha esse sonho comigo há quase um ano já.

Dentro de uma semana eu vou pra cidade onde tudo aconteceu.

Como será que eu vou me sentir?

Num desses dias que passei sem internet, sentei de frente pro mar numa praia vazia, há muitos quilômetros dos últimos guarda-sóis remanescentes em dias de semana e me deu uma vontade incontrolável de sorrir.
Enquanto o sol foi sumindo nas minhas costas, as lembranças foram surgindo devagarinho diante dos meus olhos e pela primeira vez em muito tempo eu consegui olhar pra tudo isso com uma alegria plena, sem nenhum ressentimento e com uma esperança... nossa, uma esperança gigante.
Eu sou tão feliz por ter descoberto essa história...

Apesar deles não estarem mais juntos, pra mim é como se esse tempo não surtisse efeito, pois as minhas certezas são cada vez maiores.

Parada ali na praia eu me senti aliviada quando percebi que agora eu sei lidar com o que eu sinto. Hoje ao invés de tentar fugir, como muito eu já fiz, encaro o meu envolvimento com eles de uma forma bem mais leve e tranqüila, como se só a certeza que eu tenho fosse o suficiente pra me manter aqui.

Depois de tanto tempo e de tanto surto, eu descobri porque me angustiava tanto, ora com a Siri, ora com o Alemão...

Porque sempre transformo as minhas frustrações em metas.
Sempre tenho uma participação importante interferindo naquilo que eu considero injusto.
Sempre luto não até convencer, mas pelo menos até ter a chance de ser ouvida.
Aí pela primeira vez na minha vida, eu não pude fazer NADA..
nada, nada, nada.

Putz, não contava com tamanho impedimento.

Isso foi provocando em mim um vazio que ao invés de diminuir com o tempo, só ia aumentando o buraco, cada dia mais e mais e mais..
Tava fazendo um estrago tão grande aqui dentro, que o meu corpo já vinha me protegendo... bloqueando algumas esperanças e me fazendo sentir cada vez mais triste.

Só a partir do momento que eu parei de imaginar e fantasiar uma participação efetiva na vida deles é que eu percebi que talvez participando da vida das pessoas que partilham essa angústia comigo eu pudesse realmente ajudar.

Na verdade, talvez só assim eu pude ME ajudar.

Sentada na areia de um litoral imperfeito, me dei conta de não há como fazer alguma coisa pra essa história mudar. Muitas pessoas já se convenceram disso, mas confesso que pra mim foi difícil. Foi difícil aceitar uma realidade imposta, foi difícil pra mim gostar de algo que eu não posso mudar, que eu não posso ajudar a melhorar.
Mas muitas das minhas certezas se esvaíram esse ano, sem eu nem mesmo perceber.
E isso não foi ruim...

Por exemplo,
Eu sempre achei que não fosse possível enxergar sensações.
Nunca pensei que um dia eu pudesse ver acontecer algo que sempre achei ser invisível.

Aí dei de cara com dona Íris e doutor Alemão, que não só me deixaram ver as borboletas sem medo, como me envolveram...
Até mais até do que eu queria.

Nesse dia na beira da praia, a minha própria memória se encarregou de me fazer reviver coisas que, confesso, tinha medo de lembrar.

Bah...
Eu tinha esquecido como era enxergar o que a Siri sentia.
Tinha esquecido o que isso em mim fazia, como me deixava..
O tamanho do efeito que isso tinha.

Tinha esquecido que os meus olhos percorriam um caminho sem volta
e que por horas a fio aquilo dentro de mim ficava,
me adulava, me preenchia.

Eu achava que fosse sofrer quando revivesse algumas coisas, principalmente quando eu lembrasse de certas promessas...
Vocês sabem quais são.

Só que todas aquelas lembranças, que se antes viessem me fariam sofrer, agora me atingiram de uma outra forma..
Era claro pra mim que a sensação voltaria, até mais forte com o passar do tempo, devido o meu próprio envolvimento com isso tudo.

Só não imaginava que voltaria pra me ajudar.

É verdade que ela voltou com a força que eu previa, assim, sem bater na minha porta, sem pedir licença...
Sem sequer me perguntar, se nessa dia...

...eu queria chorar.

Mas surpreendentemente ela voltou alegre e então eu não me importei com as lágrimas.
Pois logo abaixo dos meus olhos, havia um sorriso.

Lembrando do nosso casalzinho tão amado, eu me senti muito bem, como há tempos não conseguia.

Eu sei que ainda é difícil e assim vai continuar sendo, pois a saudade às vezes encosta o coração sem avisar.
Ela fica ali, silenciosa e quieta, e se engrandece nas horas que estamos mais frágeis, justo quando tudo o queremos é esquecer.

Mas eu lembrei.
Lembrei do rosto, do sorriso.
Na hora que a saudade quis aparecer, eu deixei.
E isso me fez bem.

Quando eu me peguei neles pensando, os meus olhos foram inundados de alegria.
Aquela que só a imagem deles é capaz de me dar.

Parecia que eu precisava estar sentada de frente pra algo imenso,
não para perceber o quanto eu sou pequena diante dessa história,
mas pra entender que é assim que tem que ser.

Eu não tenho que culpar o destino por ter me jogado sem bóias nesse mar, sem sequer me explicar que papel eu teria que desempenhar.
Era pra eu nadar ou morrer na praia?
O que era melhor pra mim?
Ninguém vai me explicar?
Como assim?

Não.
Ele nada tinha pra me explicar.
Era eu quem tinha que escolher.

Olhando pro mar, eu tive a certeza de que um dia virá...
Um dia o tempo vai vir com as respostas.
E quando ele me mostrar os motivos,
eu não vou me arrepender de ter nadado.

Eles também não.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Sei que me ausentei daqui nessa primeira semana do ano, mas meu trabalho digamos 'real', hehehe, tem exigido todo o meu esforço e dedicação.
Graças a Deus foi pra isso mesmo que eu vim pra esse mundo e é fazendo isso que eu me sinto feliz.
Então não tenho do que reclamar..
Tenho só que colocar os pés numa bacia d'água, olhar pra cima e agradecer por ter uma profissão que eu posso chamar de minha.

Enquanto reina a falta de tempo e confesso, de inspiração também, fico com as palavras de quem melhor do que eu traduziu em palavras parte do que eu sinto nesse momento.
Alguns vão ententer pq, outros não, mas não importa.
É o que o meu coração mandou dizer...

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